Meditação acerca da Prece

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Hoje, a palavra prece assumiu uma conotação quase negativa para muitos, principalmente no Ocidente, ou se reza da boca para fora e de maneira automática. E, no entanto, todos sabemos que para obter algo é necessário pedi-lo.

Ora, rezar nada mais é que pedir, mas pedir com o coração. Mas, o que é pedir? Quase sempre se pede carro, casa, máquina de lavar roupa, ouro, mulheres (ou marido) – em suma, coisas materiais. Alguns pedem que seu sócio se mate para recuperar o negócio, que o tio testador (quando não os pais) se resolva enfim a ir desta para a melhor. Evidentemente, é sempre por caridade: “O coitado está tão velho ou doente (ainda que se encontre em plena forma) que será o primeiro a se beneficiar”.

Veem-se até certas mulheres (ou homens) a pensar “Ah, se eu pudesse ficar livre dele(a)!” assim como Thérèse Raquin, a heroína de Zola que envenena o marido.

Mas se a passagem ao ato é difícil, no nível dos pensamentos ou dos sentimentos, o pedido não raro é muito forte. E isso já é uma prece, ainda que não de todo formulada. A verdadeira prece não consiste em pedir coisas materiais – que de resto poderás obter um dia ou outro se te dispuseres a trabalhar para tal. A verdadeira prece consiste em pedir qualidades como amor, a bondande, a sabedoria, a justiça, a verdade, a harmonia, a pureza, a força ou a generosidade, e isso, a fim de poder ajudar a si e ao próximo. A prece é uma forma de enriquecimento. Abre as portas que correspondem às qualidades que se deseja adquirir. Como o filho que pede tão gentilmente um brinquedo aos pais que eles não conseguem recusar.

É certo que somos co-criadores do universo, analogamente, sabem os espiritualistas que tudo o que existe é o resultado de uma ação inteligente, vale dizer, consciente. Quanto mais elaborada é a criação, tanto mais devemos concluir que os seres estão na origem dessa criação são evoluidos e poderosos. Isso vale para a nossa escala terrena.

Na Umbanda, onde temos os Orixás, Anjos, Guias Espirituais e acima de todos Olorun ou Zambi, podes começar a lhes pedir ajuda. Podes, por exemplo, pedir ao mundo angelical que te ajude a desenvolver esta ou aquela qualidade. Mas isso não é o mais importante. O que conta é a vontade interior de te transformares, de desenvolver cada vez mais as qualidades que em ti residem, mas ainda dormitam. Se o teu pedido interior for intenso, cheio de amor e humildade, com a firme vontade de melhorares para ajudar, mecanismos interiores extraordinários poderão pôr-se em movimento. Veremos então que o Eu Superior sempre responde presente, como a mãe ou o pai que acode ao apelo do filho. A maior prova de que a prece deve ser do intensamente do coração, observe quem despende o tempo implorando as hierarquias (Orixás, Anjos, Guias Espirituais, etc.) sem colocar nada de ti na prece e sem obter nenhum resultado. Basta ver certas pessoas que recitam o “Pai-nosso” ou a “Ave-Maria” às pressas.

Enfim, em nossas orações, cada palavra tem um sentido que merece ser ponderado e deve ser pronunciada com plena consciência. Os seres invisíveis a quem te diriges gostam de recebê-las de forma inteligível e audível. Nossos Amigos Espirituais gostam de ver sentimento e qualidade aos seus pedidos.

Que a Luz de Oxalá estejam com todos vocês, irmãos e irmãs.

Anderson Lima

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