Falar bem dos outros

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Uma dos maiores desafios da vida cotidiana é o esforço para enxergamos o lado bom de uma pessoa.

Este ideal se aplica a todos os nossos relacionamentos com os outros, desde o mais casual ao mais íntimo. Às vezes, isto significa aplicar uma interpretação positiva a ações que pareçam questionáveis. Outras vezes, significa reconhecer que o ato do outro é verdadeiramente bom.

Pensamentos positivos deste tipo, inicialmente, residem dentro de nossa mente e podem ser muito pessoais. O passo seguinte é a capacidade para falarmos bem de alguém.

A fala tem um poder espiritual.

O efeito da fala é o de revelar os nossos pensamentos, que estariam, de outro jeito, ocultos.

Nossos Sábios nos dizem que existe algo muito significativo neste movimento do pensamento à fala.

É uma forma de concretizarmos o pensamento, trazendo-o à realidade, tornando-o parte do mundo à nossa volta.

A conseqüência é que estes pensamentos, agora traduzidos em palavras, têm um efeito no mundo material.

Pensando e falando sobre outra pessoa, nós a estaremos afetando de alguma forma.

Isto é comumente discutido em termos do efeito negativo das palavras más sobre alguém, denominadas pelos Sábios de lashon ha-rá, “má língua”.

O Talmud nos fala que isto tem um efeito ruim em três pessoas:

naquela que fala,

naquela que ouve, e

sobre aquela de quem se fala.

Entretanto, os ensinamentos chassídicos também enfatizam a dimensão positiva: falar bem de alguém tem um efeito positivo espantoso.

Um exemplo disto é visto na Parashá Noach, que nos fala sobre Noach (Noé) e o Dilúvio.

Do início do relato, logo se torna claro que Noach enfrentará um gigantesco desafio. Ele viverá em um período de destruição em escala global com a responsabilidade de fundar um novo mundo depois que o cataclisma tiver passado.

Como ele será capaz de fazer isto?

Onde ele encontrará a força oculta para sobreviver?

Por esta razão, comenta o Lubavitcher Rebbe, nas palavras iniciais da Parashá, algo bom é falado sobre Noach:

“Estas são as gerações de Noach; Noach era um homem justo”.

À primeira vista, a segunda frase parece não estar ligada à primeira.

Nós esperaríamos que a Torá listasse a descendência de Noach, como, de fato, ela o faz em um versículo mais adiante.

Por quê ela acrescenta as palavras “Noach era um homem justo”?

Rashi [famoso comentarista da Torá] explica que sempre que mencionamos um homem justo, devemos fazer menção às suas boas qualidades.

O Chassidismo destaca um ponto adicional que, ao fazermos isto, nós estamos ajudando aquela pessoa, dando-lhe forças extras.

A referência da Torá à bondade de Noach foi uma forma de ajudá-lo a enfrentar este desafio único pela sobrevivência da humanidade.

Esta idéia tem implicações na educação, na vida comunitária, na vida familiar.

Falando o bem, para as pessoas e sobre as pessoas.

Ao fazermos isto, nós os estamos ajudando, ajudando a nós mesmos e ajudando aos outros que escutam os comentários calorosos e positivos.

Através dos bons pensamentos e palavras e, claro, das boas ações, nós estaremos ajudando a transformar em bondade a atmosfera do mundo….

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