Roteiro para estudar o Livro dos Médiuns

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Este documento tem como objetivo oferecer uma sugestão de roteiro de estudo de O Livro dos Médiuns, para aqueles que desejem iniciar-se na ciência da mediunidade e compreender as nuanças dessa tarefa, que afinal pode ser usada de forma a produzir bons ou maus frutos, na dependência dos rumos que se dê a ela. Abordaremos alguns aspectos como frequência, duração, método etc., bem como os capítulos considerados de maior importância para o entendimento fundamental do assunto.

Frequência

As reuniões de estudos de O Livro dos Médiuns deverão acontecer na frequência mínima de uma vez por semana. Os participantes serão aqueles interessados em desenvolver a mediunidade ou os que queiram somente conhecer o assunto em maior profundidade. Um roteiro de estudos será oferecido previamente pelo dirigente, pois proporciona a leitura, em casa, das lições que serão examinadas na próxima sessão.

Duração

As reuniões terão duração mínima de duas horas. Um tempo menor não será satisfatório para um aprendizado regular, pois é necessário que se discuta os pontos importantes de forma a não deixar dúvidas e se consumirá um bom tempo até que as lições sejam vistas e discutidas por todos.

Dirigente

As reuniões de estudos deverão ter um dirigente responsável pelo seu andamento. Ele deverá possuir um conhecimento básico do que seja o Espiritismo, para que tenha condição de conduzir os trabalhos, dissipar dúvidas e corrigir rumos. Como tudo na vida, a ordem e a disciplina são fundamentais para o bom andamento das reuniões. O dirigente será o elemento responsável pelo estabelecimento desse equilíbrio.

Prece

As reuniões serão abertas e encerradas com uma prece feita por um dos presentes, dando-se preferência para os membros mais experientes da sociedade. Durante a prece, deve-se evocar fervorosamente a presença dos bons Espíritos, rogando-lhes proteção e facilidade para o entendimento das lições que vão ser estudadas, assim como agradecer-lhes a presença ao final. A prece feita com o coração proporcionará um ambiente propício para o desenvolvimento das ideias.

Método

O método de estudo será aquele aconselhado por Alan Kardec, ou seja, leitura de um trecho e correspondentes comentários pelos participantes que estão mais adiantados no conhecimento, após o que o espaço estará aberto para que todos possam tirar dúvidas e crescer no conhecimento. O dirigente dos estudos poderá fazer perguntas dirigidas a alguns companheiros sobre os trechos estudados. Isso dará condições para avaliar a capacidade de assimilação e o desenvolvimento de cada um dos integrantes da reunião.

Evangelho

As reuniões de estudos de O Livro dos Médiuns serão precedidas de uma leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo. É conveniente que esta obra seja aberta ao acaso, pois os Espíritos amigos podem utilizá-la para passar informações importantes para a melhoria moral de todos ou correção de posturas. Uma pessoa de boa dicção será responsável pela leitura. Depois dela, dois ou três membros mais experientes farão comentários acerca do significado moral da lição e das possíveis circunstâncias em que ela pode ser aplicada na vida diária. Algumas referências serão feitas ao Espíritos sofredores, para confortá-los em suas dores e angústias. Não se pode esquecer que os Espíritos necessitados estão presentes em todas as sessões. O estudo das lições do Evangelho é imprescindível para o equilíbrio das reuniões. O tempo reservado para as explanações evangélicas será de no mínimo 30 minutos.

Evite sessões práticas

O estudo de O Livro dos Médiuns não deve ser feito antes das sessões práticas de Espiritismo. O tempo ficaria muito reduzido e as duas atividades acabariam prejudicadas. Deve-se, pois, ter um dia para os estudos e um dia para as sessões práticas. Normalmente, o período de estudos que antecede os trabalhos mediúnicos precisa ser ocupado para se estudar O Evangelho Segundo o Espiritismo. Entretanto, se a casa não tiver outra oportunidade para estabelecer o estudo desse livro, é prudente que procure adequá-lo para o dia dos trabalhos práticos, sem que haja prejuízos.

Roteiro de Estudos

Nota: Frisamos com o destaque “IMPORTANTE” aqueles capítulos que julgamos ser os mais graves. Antes de nos dispormos a fazer sessões práticas, esses precisam ser estudados com todo o cuidado.

PRIMEIRA PARTE

Capítulo I – Existem Espíritos?

Um reflexão sobre a existência do Espírito, ser incorpóreo que sobrevive a morte do corpo físico. É um capítulo que auxilia na formação da convicção nos iniciantes.

Capítulo II – Método

Texto que mostra os caminhos utilizados para se praticar o Espiritismo de forma segura e proveitosa. Fala dos diversos tipos de Espíritos que se pode entrar em contato, conhecimento importante para se ter a cautela necessária ao compor a equipe de trabalhadores. A falta desse conhecimento tem trazido muitos dissabores para grande número de casas espíritas.

SEGUNDA PARTE

Capítulo I – Ação do Espíritos sobre a matéria

Explica o mecanismo pelo qual os Espíritos podem atuar sobre a matéria inerte. Mostra que o perispírito é a chave de todos os fenômenos mediúnicos. O entendimento deste assunto é fundamental para a compreensão de todos os processos ligados à prática racional da mediunidade.

Capítulo II – Manifestações físicas e mesas girantes

Apresenta as mesas girantes, mecanismo primitivo, usado pelo Espíritos para produzirem as primeiras manifestações ostensivas relacionadas com o nascimento do Espiritismo. Importante para se conhecer de que forma as comunicações se iniciaram e como evoluíram até hoje.

Capítulo III – Manifestações inteligentes

Demonstra que do simples ruído provocado pelas manifestações físicas chegou-se às comunicações inteligíveis propriamente ditas, através das prudentes observações e pesquisas do Codificador.

Capítulo VI – Manifestações visuais

Apresenta explicações sobre os fenômenos das aparições e das vidências. Estudo minucioso e importante na compreensão de fatos que tenham explicações lógicas e nos protege das ilusões e fantasias relacionadas ao assunto.

Capítulo VIII – Laboratório do mundo invisível

Mostra os motivos pelos quais os Espíritos são vistos usando roupas e objetos, como se estivessem vivos. Explica de que maneira tudo pode ser construído no mundo espiritual pela ação do pensamento.

Capítulo IX – Locais assombrados

Trata-se de esclarecimentos lógicos e racionais sobre a existência de locais onde dizem existir assombrações. O estudo deste capítulo põe por terra as fantasias existentes em torno do assunto, explicando racionalmente o fenômeno.

Capítulo X – Natureza das comunicações

Ensina conhecer o tipo de comunicação que está vindo através do médium, seja por meio da fala ou escrita. Conhecer os diversos tipos de comunicações, facilita o trabalho do doutrinador no critério com o exame das mesmas.

Capítulo XIII – Psicografia

Apresenta noções sobre o mecanismo da psicografia, ou seja, a escrita influenciada pelos Espíritos desencarnados. Fala das cestas e pranchetas usadas no começo da história espírita e depois, da sua substituição pelas mãos dos que serviam de intermediários. Allan Kardec facilita o entendimento do assunto e diz que entre dez pessoas, três possuem a capacidade de escrever bem, sob a influência dos Espíritos.

Capítulo XIV – Os médiuns (IMPORTANTE)

Explicações sobre o que é ser médium. Esclarece sobre a idéia existente no meio espírita, de que todos são médiuns, o que traz grande confusão nos grupos. Trata da classificação geral dos médiuns. Capítulo de fundamental importância para ajudar o dirigente a saber quem é quem.

Capítulo XVI – Formação dos médiuns (IMPORTANTE)

Demonstra a parte prática daquilo que se vai fazer na reunião mediúnica. As instruções estão direcionadas para a psicografia, única prática utilizada pelos grupos da época, mas podem ser adaptadas para a psicofonia.

Atenção: O estudo cuidadoso deste capítulo é essencial para o bom direcionamento da sessão. Estude cada parágrafo, discutindo suas consequências para a parte prática.

Capítulo XVIII – Inconveniente e perigos da mediunidade (IMPORTANTE)

Trata-se de capítulo importantíssimo, pois instrui a respeito de como se deve proceder para evitar os malefícios da prática da mediunidade mal conduzida. O desconhecimento desses perigos tem colocado a perder faculdades mediúnicas, que se bem direcionadas, seriam utilizadas de forma produtiva. Muitos casos de desequilíbrios são registrados após contato do médium com a prática mal conduzida. Comentários sobre “Mediunidade e loucura” e “Mediunidade nas crianças”, instruem sobre essas situações que ainda hoje são mal interpretadas.

Capítulo XIX – Papel dos médiuns nas comunicações (IMPORTANTE)

Qual é o papel dos médiuns na comunicação com o mundo invisível? Allan Kardec explica que não existe uma passividade total da pessoa em relação à comunicação. Dar comunicação é representar uma personalidade estranha, traduzir o pensamento, conviver com o animismo, aperfeiçoar-se moral e intelectualmente. Trata também da questão da linguagem dos Espíritos e da forma como expressam seus pensamentos. Capítulo onde encontramos importante instrução de Erasto e Timóteo, que deve ser lida cuidadosamente.

Capítulo XX – Influência moral do médium (IMPORTANTE)

Capítulo que deve ser estudado com a maior atenção pelos principiantes. A faculdade mediúnica não tem nada a ver com a moral do médium. Seu uso, no entanto, depende exclusivamente dessa condição moral. Há médiuns que empregam mal suas faculdades. Nos adverte que, ao contrário do que se pensa, os médiuns já formados também podem ser enganados. Mostra como é possível e importante a revisão das mensagens mediúnicas. Apresenta uma importante mensagem de Erasto falando da moral dos médiuns.

Capítulo XXI – A influência do meio

Allan Kardec mostra que mesmo um bom médium poderá receber comunicações ruins, se estiver num ambiente ruim. Para boas comunicações são necessários ambiente moral saudável e médium com seus compromissos espirituais em dia. Fala da importância da homogeneidade de pensamentos entre os participantes, além da existência de sentimentos puros e elevados, com desejo sincero de aprender.

Capítulo XXIII – Da obsessão (IMPORTANTE)

É um dos mais importantes capítulos de O Livro dos Médiuns. Allan Kardec demonstra que a obsessão é um dos maiores obstáculos ao exercício da mediunidade e também um dos mais freqüentes. Todas as medidas devem ser tomadas para se evitar seus efeitos ou pelo menos minimizá-los. Saiba as três formas como a obsessão pode se apresentar, a intensidade dos processos obsessivos e formas de curá-los.

Capítulo XXIV – Identidade dos Espíritos

Estuda a metodologia utilizada para se identificar os Espíritos comunicantes. Distinção entre os bons e maus Espíritos. Formas de identificação de ambos e medidas seguras para se analisar as comunicações. Sem esse cuidado, pode-se ficar com mais facilidade à mercê de Espíritos pseudo-sábios, sistemáticos, mentirosos, galhofeiros e fascinadores.

Capítulo XXV – Das evocações (IMPORTANTE)

O Codificador dedicou todo esse capítulo a demonstrar racionalmente a importâncias das evocações e mostra que elas são bem mais seguras que as manifestações espontâneas. Trata das dificuldades nas evocações, da linguagem a usar com os Espíritos e evocações de Espíritos de pessoas encarnadas. Instrui, em 66 perguntas, sobre a maneira segura de se realizar esta prática, indispensável ao tratamento das obsessões graves.

Capítulo XXVI – Perguntas que se podem fazer

Quais as perguntas que podemos fazer aos Espíritos? Perguntas sobre questões morais e espirituais. Perguntas sobre a situação dos Espíritos, saúde, descobertas, tesouro, etc. Este capítulo demonstra que os bons Espíritos se interessam pelo nosso adiantamento espiritual e não perdem tempo com os que querem fazer do contato com o plano invisível, simples instrumento de passatempo e frivolidades.

Capítulo XXIX – Reuniões e Sociedades (IMPORTANTE)

Allan Kardec apresenta uma série de ideias a respeito da classificação das reuniões práticas de Espiritismo. Fala da formação das sociedades e das normas de segurança que precisam existir para se preservar sua integridade. Este entendimento é de extrema importância para o equilíbrio e funcionamento das sociedades espíritas. Estas instruções do Codificador demonstram a relevância do assunto: “Uma reunião é um ser coletivo cujas qualidades e propriedades são a soma de todas as dos seus membros formando uma espécie de feixe. Ora, este feixe será tanto mais forte quanto mais homogêneo.”

Nota: Para o estudo de O Livro dos Médiuns, recomendamos a tradução feita pelo professor José Herculano Pires, devido sua clareza e objetividade

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