O médium Ambrósio

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O médium Ambrósio após 35 anos de trabalho veio a falecer. Compreendeu logo que estava do outro lado e foi procurar os espíritos guias para indicar-lhe o bom lugar que ele merecia.

– Antes de mais nada, disse-lhe um anjo guardião, é preciso checar bem a sua ficha para ver se realmente você conseguiu o merecimento de um bom lugar.

– É claro que sim, caro amigo. Foram 35 anos de trabalho ininterrupto. Foram poucas as sessões que faltei.

– Claro, claro, é apenas uma formalidade, uma mera conferência dos seus dados.

– Já até me assustei, tinha pensado: será que trabalhei todo este tempo em vão?

– Nada é perdido aos olhos de Deus. Enquanto isto sente um pouco, respire fundo, tome um copo de água.

– Mas… mas aprendi que aqui a gente não respira, não come e nem toma água.

– Vê, meu irmão,como temos que aprender muita coisa ainda. A vida é uma eterna aprendizagem, mas vamos lá. O que é que o irmão fazia lá no centro Espírita?

– Participava da reunião mediúnica. Era um bom médium. O presidente tinha confiança em mim.

– O irmão fazia prece inicial, prece final?

– Não, não, o presidente sempre fazia isto.

– Ah, sei, mas o irmão fazia as leituras e os comentários dos livros nas sessões mediúnicas.

– Não. Os outros médiuns faziam isto.

– Compreendo. Quantas salas de evangelização o irmão tinha?

– Nenhuma. Nunca ministrei uma aula de evangelização. Eu não tinha preparo para isto. Ademais tinham muitos evangelizadores no centro.

– Sei. O irmão sempre fazia uma palestra por mês?

– Jamais. Eu não tinha jeito para isto. Tremia só de pensar em falar em público.

– Entendo. Cursos: todo centro que se preza é preciso ter vários cursos como: Esde, mediunidade, passe, atendimento fraterno, gravidez e outros de interesse da comunidade. No seu centro havia alguns destes cursos?

– Sim, claro. Mas havia gente especializada para cada um deles. Não ministrei nenhum destes cursos.

– Certo.Compreende o irmão que num centro há muito serviço doméstico como varrer o piso, lavar os banheiros, lavar pratos, talheres, copos, espanar os objetos. O irmão deve ter participado de muitos destes trabalhos.

– Participei não. Eu não tinha tempo, pois tinha que trabalhar. Além do mais, havia gente para tudo isto.

– Está bem, mas convém lembrar que num centro também tem despesas como: Luz, água, telefone, alimentação, material didático e de limpeza e outras pequenas despesas. O irmão deve ter colaborado monetariamente com muitos destes débitos.

– Colaborei não. Eu ganhava pouco e não me sobrava nada. Eu sempre quis colaborar e ficava esperando que as coisas melhorassem para mim. Assim o tempo foi passado.

– Mas o irmão orientou muita gente, deu bons conselhos, defendeu seus irmãos do pior e melhorou a vida de muita gente.

– Nada disso eu fiz.

– Mas o que é que o irmão fez num centro espírita?

– Eu era médium. Sentava na mesa e ficava esperando o presidente chamar os espíritos. Eu recebia quase todos os espíritos que iam ao centro espírita.

– Mas então o irmão não trabalhou. Quem trabalhou foram os espíritos, logo o merecimento é todo deles. O verdadeiro médium é aquele que trabalha e não só emprestar o corpo para uns poucos minutos. Que merecimento o irmão tem?

– Mas o que eu fiz não basta?

– O irmão tem um débito muito grande do seu passado e precisa ressarci-lo. O irmão recebeu o dom mediúnico para isto, mas  precisava fazer também a sua parte e não fez. O irmão precisa retornar à terra e fazer tudo de novo… em dobro.

Não teve jeito. Ambrósio está agora se preparando para voltar à terra e desta vez em piores condições. Nascerá numa vila, com muitos sofrimentos, dentre elas a grande pobreza. Provavelmente agora ele cumprirá o que deve fazer.

Fonte do Artigo – http://www.artigonal.com/religiao-artigos/o-medium-ambrosio-2537829.html

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